Estádios Que Foram Abandonados Ou Que São Pouco Usados No Brasil

Muitos estádios pelo Brasil são subaproveitados. Alguns foram projetados para sediar grandes eventos esportivos, como os Jogos Olímpicos de 2016 e a Copa do Mundo de 2014, com a expectativa que seguissem recebendo um público significativo posteriormente. No entanto, algumas arenas acabaram não vingando e hoje recebem poucos jogos ou estão até mesmo abandonadas.

Há também estádios históricos que não resistiram ao teste do tempo e foram desativados nas últimas décadas, abrindo espaço para arenas mais modernas e com maior capacidade de público. Confira mais detalhes a seguir!

Arena Amazônia

Manaus - Arena Amazônia
Richard Heathcote/Getty Images
Richard Heathcote/Getty Images

Muitos estádios foram erguidos no Brasil para a Copa do Mundo de 2014, mas poucos seguiram a todo vapor após o evento. E aqui temos um bom exemplo! Localizada em uma área de difícil acesso, a Arena Amazônia levou quase quatro anos para ser construída e custou R$ 669,5 milhões aos cofres públicos. A ideia era que o espaço seguisse sediando jogos e grandes eventos o ano todo.

No entanto, a realidade é outra. Desde a Copa do Mundo, a Arena Amazônia tem recebido poucas partidas com público significativo, já que não há um time de primeira linha na cidade. Gerido pelo governo estadual, o local é utilizado, de vez em quando, por clubes pequenos da região. O que mais tem movimentado o estádio amazonense é o futebol feminino, mas não o suficiente para cobrir os custos de R$ 550 mil por mês.

Arena Pantanal

Arena Pantanal - estádios pouco usados
Buda Mendes/Getty Images
Buda Mendes/Getty Images

Erguida por R$ 628 milhões, a Arena Pantanal também acabou subaproveitada após a competição de 2014. O local chegou ainda a ser utilizado nos Jogos Olímpicos de 2016, mas depois passou um bom período sem receber jogos com frequência e de grande porte. Além disso, mesmo após sete anos, segue inacabada.

É atualmente bancado pelo Governo do Mato Grosso, que gasta em média R$ 350 mil por mês na manutenção do estádio. Neste ano, passou a abrigar confrontos da Série A do Brasileirão, após o acesso do Cuiabá à elite. Além disso, foi usada na Copa América realizada no Brasil em 2021.

Estádio Mané Garrincha

Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha - estádios pouco usados
Christopher Lee/Getty Images
Christopher Lee/Getty Images

Embora o Estádio Nacional Mané Garrincha de Brasília tenha sido inaugurado originalmente em 1974, ele passou por uma grande reforma em preparação para a Copa do Mundo de 2014, quase dobrando sua capacidade. Classificado como um dos maiores exemplos de elefante branco no Brasil, o estádio custou cerca de R$ 1,7 bilhão aos cofres públicos.

No entanto, sem um time da primeira divisão na capital, o Estádio Nacional de Brasília passou a ser pouco utilizado para jogos de futebol depois de sediar sete jogos da Copa do Mundo. Antes da pandemia, o Mané Garrincha costumava receber alguns jogos de equipes de fora, principalmente dos times do Rio de Janeiro. Já neste ano foi palco de partidas da Copa América. Para compensar os altos gastos mensais, a arena também aluga o espaço para grandes shows.

Arena Pernambuco

Arena Pernambuco
JAVIER SORIANO/AFP via Getty Images
JAVIER SORIANO/AFP via Getty Images

A Arena de Pernambuco foi construída ao custo de R$ 532 milhões para sediar a Copa das Confederações de 2013 e a Copa do Mundo de 2014. A intenção era que o estádio seguisse recebendo jogos dos clubes locais após os eventos, mas não foi o que aconteceu.

Mesmo com três clubes de massa na cidade, nenhum deles utiliza o estádio com frequência por causa da distância, do aluguel caro, da falta do “efeito caldeirão” e dos problemas estruturais no entorno. Para amenizar os custos, o estádio passou a receber eventos como shows, encontros religiosos e partidas de futebol com menos visibilidade.

Arena das Dunas

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NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images
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A Arena das Dunas, em Natal, é mais um dos estádios brasileiros sem o devido aproveitamento. Construído para a Copa de 2014 através de uma parceria público-privada entre a OAS Engenharia e o governo do estado, o estádio custou R$ 423 milhões e recebeu quatro partidas durante evento mundial.

Atualmente, o estádio de Natal recebe o Campeonato Potiguar, quase sempre com uma baixa média de público e pouca receita, e partidas do América-RN, que disputa a Série D do Campeonato Brasileiro. Sem receber jogos com frequência, a Arena das Dunas acaba servindo para outras atividades, como eventos culturais, corporativos e shows musicais.

Maracanã

Coronavirus - Brazil
Fernando Souza/picture alliance via Getty Images
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Símbolo do futebol nacional, o Maracanã foi um dos 12 estádios da Copa do Mundo e também enfrentou sérios problemas estruturais após o evento realizado no Brasil. O estádio foi reformado para a competição de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016, mas sofreu um declínio surpreendentemente rápido.

Já em 2017, o estádio apresentou problemas no gramado e chegou a ficar fechado durante alguns períodos por conta disso. Embora seja usado para jogos do Flamengo e Fluminense, o local não está 100%. Partes do Maracanã ainda precisam de reformas, como a cobertura, os placares eletrônicos, além de questões menores.

Olímpico Monumental

Olímpico Monumental - Abandonado
Alexandro Auler/LatinContent via Getty Images
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Diferente dos estádios citados anteriormente, o Olímpico Monumental está abandonado e não recebe partidas desde o início de 2013, ano em que o Grêmio se mudou de vez para a moderníssima Arena. O antigo estádio do tricolor gaúcho, como se sabe, entrou como parte do contrato firmado entre clube e OAS.

Assim que ocorrer a “troca das chaves”, o Olímpico deixará de pertencer oficialmente ao clube. Enquanto isso, o estádio inaugurado em 1954 agoniza à espera de ser finalmente demolido.

Estádio dos Eucaliptos

Inter - Estádio dos Eucaliptos
wikipedia
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Aqui temos outro estádio marcante na história de Porto Alegre. Inaugurado oficialmente em 1931, o Estádio dos Eucaliptos foi a primeira casa do Internacional. O estádio chegou, inclusive, a receber duas partidas da Copa do Mundo de 1950. Hoje, no entanto, já não existe mais.

O estádio foi aposentado em 1969, quando o Inter apresentou o Estádio do Beira-Rio. Já desativado, o velho Eucaliptos foi vendido em 2010 para a construtora Melnick Even e demolido em 2012. No local, foi erguido um condomínio residencial com sete torres.

Parque Olímpico

Aerial Views of the Rio 2016 Olympic Park Amidst the Coronavirus (COVID - 19) Pandemic
Buda Mendes/Getty Images
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Herança das Olimpíadas da Rio 2016, o Parque Olímpico custou R$ 2 bilhões aos cofres públicos e é o caso mais recente de descaso. Durante o evento, cerca de 120 mil pessoas por dia assistiram a 16 modalidades olímpicas. Posteriormente, o local também abrigou competições paraolímpicas. A promessa da prefeitura era de que o Parque deixasse um grande legado esportivo após as Olimpíadas, o que não aconteceu até agora.

Atualmente, as arenas do complexo sofrem com a falta de cuidados e poucas áreas são realmente aproveitadas. A maior parte das estruturas serve apenas como depósito para equipamentos abandonados. A Arena do Futuro, por exemplo, está há quase cinco anos sem ser utilizada.

Teixeirão

Teixeirão
Reprodução/TV TEM
Reprodução/TV TEM

Inaugurado em dia 10 de fevereiro de 1996, o estádio Benedito Teixeira já foi um dos principais estádios de São Paulo, mas hoje está praticamente abandonado. O Teixeirão chegou a ser palco do último jogo do título brasileiro do Santos em 2004, por exemplo. Na década de 90 e início dos anos 2000, também já recebeu de vários jogos importantes de São Paulo, Corinthians e Palmeiras.

No entanto, nos últimos anos, o estádio do América-SP foi a leilão inúmeras vezes para sanar dívidas e chegou a ser interditado para realização de jogos oficiais em 2020.

Palestra Itália

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NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images
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Também conhecido como Parque Antarctica, o Palestra Itália começou a ser utilizado em 1902 e se tornou a casa oficial do Palmeiras no começo da década de 1920. Foram mais de 90 anos recebendo jogos da equipe alviverde.

No entanto, em 2011, o estádio foi demolido para dar lugar a uma moderna arena, o Allianz Parque, fruto de uma parceria entre o Palmeiras e a construtora WTorre.

Confira a seguir outros templos do esporte que foram abandonados e não recebem mais jogos.

Vicente Calderón

Demolition Of Atletico Madrid Old Stadium
Oscar Gonzalez/NurPhoto via Getty Images
Oscar Gonzalez/NurPhoto via Getty Images

O histórico Vicente Calderón serviu como casa do Atlético de Madri por 51 anos. A última partida realizada pelo clube mandatário no estádio foi no dia 21 de maio de 2017, na última rodada da La Liga, quando venceu o Athletic de Bilbao. Já o último evento futebolístico oficial realizado em seu gramado foi a final da Copa do Rei do mesmo ano, entre Barcelona e Alavés, com vitória dos catalães por 3 a 1.

Para substituir sua antiga casa, o Atlético comprou da prefeitura da capital espanhola o Estádio Olímpico de Madri e o transformou no novíssimo Wanda Metropolitano. Já as obras de demolição do Vicente Calderón começaram em 2020. A área que era ocupada pelo tradicional estádio, às margens do rio Manzanares, vai virar um bairro com conjuntos residenciais e área verde.

Highbury

Arsenal FC 'Iconic' Archive
Stuart MacFarlane/Arsenal FC via Getty Images
Stuart MacFarlane/Arsenal FC via Getty Images

O estádio Highbury tinha capacidade para 38 mil torcedores e foi a casa do Arsenal durante 93 anos. Devido à impossibilidade de área para ser expandido e aumentar sua capacidade de público, o icônico Estádio do Arsenal acabou deixando de sediar os jogos dos Gunners em 2006.

A partir de 2010, o estádio foi revitalizado e convertido em um condomínio de apartamentos de luxo. Desde o início da demolição de sua antiga casa, o Arsenal atua no Emirates Stadium.

Sarriá

European Club Soccer - Demolition of Espanyol stadium Sarria Stadio
Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images
Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images

O Sarriá foi o estádio do segundo clube mais importante de Barcelona, o Espanyol, entre 1923 e 1997. Além disso, teve um peso importante na história da Seleção Brasileira. Foi na antiga casa do Espanyol que o time brasileiro foi derrotado por 3 a 2 pela Itália na Copa do Mundo de 1982. Esta partida é conhecida até hoje no Brasil como o “Desastre de Sarrià”.

O Sarriá ainda recebeu a final da Copa da Uefa de 1988 e partidas de futebol dos Jogos Olímpicos de 1992 antes de ser vendido. Em 1997, o Espanyol vivia uma crise financeira estrondosa e, com o objetivo de sanar as dívidas, acabou vendendo o Sarriá para uma empresa do ramo imobiliário.

Pocitos

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MIGUEL ROJO/AFP via Getty Images
MIGUEL ROJO/AFP via Getty Images

Localizado em Montevidéu, no Uruguai, Pocitos também teve importância para o futebol mundial. Foi neste estádio que o mundo viu o primeiro gol da história dos mundiais. O tento foi marcado pelo francês Lucien Laurent, na goleada por 4 a 1 sobre o México, em 13 de julho de 1930. Apesar da sua importância histórica, ele não durou muito. Após a Copa, acabou perdendo espaço.

Construído em 1921 para ser a casa do Peñarol, ele foi abandonado de vez 12 anos depois porque o clube uruguaio passou a mandar suas partidas no Centenário. No local onde ficava o Pocitos, hoje há uma pequena escultura que comemora a localização original da trave onde o primeiro gol da Copa do Mundo da FIFA foi marcado.

Lluís Sitjar

Soccer - Friendly - Spain v Romania
Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images
Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images

Localizado na Espanha, o estádio Lluís Sitjar foi inaugurado em 1945, após a 2ª Guerra Mundial, e por muitos anos foi a casa oficial do RCD Mallorca. No início, o estádio tinha capacidade para 15 mil pessoas, mas depois de algumas melhorias a capacidade do estádio passou para 31 mil espectadores!

Mesmo com a ampliação, em 1999, o RCD Mallorca se transferiu para o Son Moix. Posteriormente, o estádio ainda foi utilizado pelo Mallorca B, mas hoje está abandonado e em um lamentável estado.

Pontiac Silverdome

Super Bowl XVI Detroit
George Gojkovich/Getty Images
George Gojkovich/Getty Images

Por um quarto de século, o Pontiac Silverdome foi o orgulho de Detroit. E, durante esse tempo, sediou eventos como o Super Bowl de 1982 e partidas da Copa do Mundo FIFA de 1994, sendo o estádio de Suécia 1 x 1 Brasil . Além disso, com capacidade para 80 mil pessoas, recebeu shows de Michael Jackson, Rolling Stones e Led Zepelin e The Who, além de uma missa do Papa João Paulo II.

No entanto, depois de ser abandonado pelo Detroit Lions (NFL) em 2002, entrou em declínio. Então, em 2013, o mau tempo fez com que seu telhado inflável de última geração desabasse, dando-lhe uma reforma seriamente pós-apocalíptica. Foi levado a leilão oito anos depois. Embora tenha recebido eventos de grande porte entre 2010 e 2011, está em total decadência atualmente.

Washington Coliseum

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BRENDAN SMIALOWSKI/AFP via Getty Images
BRENDAN SMIALOWSKI/AFP via Getty Images

A Uline Arena, mais tarde renomeada Washington Coliseum, era uma arena coberta em Washington. O local foi inaugurado em 28 de janeiro de 1941 para sediar partidas de hóquei antes de se tornar o lar do Washington Capitals, da NBA. Mas também ficou famoso por sediar grandes shows como dos Beatles (o primeiro da banda nos Estados Unidos), Bob Dylan e Rolling Stones.

Devido ao seu tamanho relativamente pequeno – uma capacidade de apenas 8 mil pessoas – o local foi muito pouco usado depois da inauguração do Capital Centre, em Landover, no ano de 1973. No entanto, a estrutura ainda está de pé. Tornou-se uma prisão temporária e, em seguida, um estacionamento antes de ser usada como estação de transferência de lixo de 1994 até 2003. Depois, foi transformada em uma enorme loja de varejo.

Tiger Stadium

Tiger Stadium Demolition
Mark Cunningham/MLB Photos via Getty Images
Mark Cunningham/MLB Photos via Getty Images

Os fãs de beisebol se apaixonaram pelo Tiger Stadium logo que ele foi inaugurado em 1912. É até hoje um dos estádios de beisebol mais icônicos de todos os tempos. Recebeu lendas do esporte como Ty Cobb, Babe Ruth, Ted Williams e Lou Gehrig.

Foi a casa dos Detroit Tigers de 1912 a 1999, bem como do time de futebol americano Detroit Lions de 1938 até 1974. No ano seguinte, o estádio foi declarado como um Lugar Histórico do Estado de Michigan, e em 1989, foi incluído ao Registro Nacional de Lugares Históricos. Apesar dessas tentativas de proteção, o Tiger Stadium não conseguiu evitar a sua demolição das arquibancadas, que ocorreu em 2009.

Delle Alpi

Delle Alpi Stadium
David Cannon/Allsport
David Cannon/Allsport

O Delle Alpi foi construído para a Copa do Mundo de 1990 e pertencia à prefeitura de Turim, Itália. Desde a sua conclusão, o estádio não foi popular entre os torcedores devido à má visibilidade das arquibancadas. Enquanto esteve em uso, recebeu jogos dos clubes Juventus e Torino. Foi ainda sede de cinco jogos na Copa do Mundo de 1990, sendo quatro deles do Brasil.

Foi demolido em 2009, dando lugar ao Juventus Stadium ou Allianz Stadium, que pertence hoje exclusivamente à Velha Senhora. Já o Torino joga suas partidas em casa no Stadio Olímpico.

Filbert Street

Showaddywaddy At Filbert Street
Michael Putland/Getty Images
Michael Putland/Getty Images

O Leicester Fosse, como o clube inglês era chamado na época, mudou-se para Filbert Street em 1891, logo após comemorar seu sétimo aniversário. Uma nova arquibancada principal foi construída em 1919, dois anos depois que o clube mudou seu nome para Leicester City.

No entanto, novas reformas foram se tornando difíceis, levando o Leicester a se mudar para o King Power Stadium em 2002. Desde então, deixou de sediar jogos oficiais.