Entenda A Rivalidade Entre Brasil E Argentina No Futebol

Os dois países geraram grandes craques do futebol, sendo os maiores exportadores de jogadores para o mundo afora. Quanto aos títulos, os argentinos têm 4 medalhas olímpicas enquanto o Brasil possui 6. O Brasil venceu cinco vezes a Copa do Mundo e quatro vezes a Copa das Confederações enquanto a Argentina venceu a Copa do Mundo duas vezes, sendo uma ainda muito discutida, e uma Copa das Confederações.

Só que nada disso interessa quando soa o apito, portanto, vamos saber um pouco mais sobre essa rivalidade esportiva histórica.

Tempos pré históricos

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DeAgostini/Getty Images
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A história que explica a rivalidade futebolística intensa entre Brasil e Argentina começa antes até de Brasil e Argentina existirem, e possui traços históricos. Espanhóis e portugueses iniciaram essa rixa logo após o descobrimento da América, enquanto dividiam suas terras através de vários tratados.

A maior rivalidade da América do Sul acabou criando raízes no futebol e se alimentou, sobretudo, da admiração que um tem pelo outro. Mais de 100 anos depois do primeiro confronto, não faltam histórias para contar:

A primeira “batalha”

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Reprodução/Web
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O primeiro confronto entre essas duas potências do futebol mundial, ocorreu em 09 de julho de 1908 na cidade do Rio de Janeiro e a Argentina venceu o Brasil por 3 a 2. Foi um jogo amistoso, mas nem a CBF nem a FIFA consideram este jogo como oficial, pois o primeiro jogo da seleção brasileira só foi acontecer em 21 de julho de 1914, na vitória por 2 a 0 contra o Exeter City, da Inglaterra.

Claro que a AFA contabiliza essa vitória.

Mais um “amistoso”

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Reprodução/Web
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Na expectativa de saber sobre o primeiro jogo “à vera”? Calma, pois em 08 de setembro de 1912, dessa vez na cidade de São Paulo, a Argentina venceu o Brasil novamente, de novo em um jogo amistoso, por 6 a 3. Já sabemos o que vocês dirão: “O que vale é jogo valendo campeonato!”

Argentinos e uruguaios já se enfrentavam em seleções desde 1902 e só não enfrentavam o Brasil porque a Seleção Brasileira, pra valer, só foi formada mesmo em 1914. Mais uma vez a AFA contabiliza essa vitória em seu caderninho!

Júlio Roca

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Reprodução/Web
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Os confrontos anteriores a 1914 foram contra combinados de times do Rio de Janeiro ou de São Paulo, nada de Seleção Brasileira nem CBF. Então, Júlio Roca, um general que havia sido presidente da Argentina, foi enviado ao Brasil durante as comemorações de 7 de setembro para apaziguar as relações entre os dois países, que estavam estremecidas.

Roca convidou a Seleção Brasileira da época para jogar na Argentina e ofereceu uma taça, que passou a ser conhecida como Copa Roca, justamente como um sinal de união dos povos”.

A Copa Roca

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Reprodução/Web
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Talvez você não soubesse do General Roca, muito menos do general Alejo Júlio Argentino Roca Paz, então fica a dica: Muitas ruas pelo Brasil afora chamam-se General Roca em sua homenagem, assim como a própria Copa Roca. Ele foi presidente da Argentina por duas vezes.

Voltando aos gramados, a disputa da primeira Copa Roca ficou marcada para o dia 20 de setembro de 1914. Só que um violento temporal atrasou a chegada da Seleção Brasileira, que teve que fazer escala em Montevidéu.

Perdendo como sempre

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Reprodução/Web
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Para não jogar fora toda a expectativa criada em torno desse evento, o primeiro embate oficial foi transformado em um amistoso realizado naquela tarde de setembro, em Buenos Aires. Para os brasileiros foi bom que esse jogo se tornasse um amistoso já que a Argentina venceu de novo, dessa vez por 3 a 0.

Apesar do placar, a equipe brasileira foi bastante elogiada, assim como o goleiro Marcos Carneiro de Mendonça. Sete dias depois, o reencontro valeria taça: a primeira decisão envolvendo os rivais!

Finalmente, valendo!

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Reprodução/Pinterest
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O jogo “à vera” foi remarcado para o dia 27 de setembro de 1914, lá mesmo em Buenos Aires e se antes o time que já vestia as tradicionais camisas em azul e branco venceu com dois gols de Carlos Izaguirre e um de Aquiles Molfino, dessa vez, no mesmo campo do Gimnasia y Esgrima, no bairro de Palermo, o Brasil começou trocando bem os passes para os mais de 17 mil espectadores – entre eles políticos e cartolas da mais alta importância e deixou a tarefa da Argentina bem mais difícil.

Vitória, enfim!

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WILTON JUNIOR/AGENCIA ESTADO/AE
WILTON JUNIOR/AGENCIA ESTADO/AE

O primeiro e único gol aconteceu aos 13 minutos do primeiro tempo, quando Rubens Salles acertou um chute à meia altura no canto do goleiro Rithner. Mesmo com a vantagem, os brasileiros levavam perigo em bons contra-ataques, mas também sofreram pressão dos argentinos antes do apito final.

Finalizado o encontro, pasmem, nada de reclamações ou a tradicional pancadaria: cordialidade pura na vitória por 1 a zero da Seleção Brasileira, que ficou com a taça da primeira Copa Roca!

La mano de Diós, só que não

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S&G/PA Images via Getty Images
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Um belo detalhe histórico que fará você gostar um pouco mais dos argentinos: a Argentina poderia ter empatado o jogo se não fosse um caso de fair play improvável nos dias de hoje.

No segundo tempo, o atacante Roberto Leonardi disputou a bola com o goleiro brasileiro Marcos e empurrou para o gol usando a mão. O juiz não viu o toque e já estava apontando para o centro do campo, mas foi cercado pelos jogadores argentinos, que fizeram questão de avisá-lo que o lance foi ilegal. O gol foi anulado e o Brasil ficou com a taça.

Como tudo começou?

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Picture alliance via Getty Images)
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E se tudo correu num clima perfeito de amizade e cordialidade mesmo com os argentinos perdendo em casa a primeira taça inventada por eles mesmos, é impossível não se perguntar como toda essa rivalidade que nos foi passada ao longo de gerações acabou começando?

Para alguns historiadores, a segunda guerra mundial teve um papel decisivo nessa mudança de humor e marcam um jogo histórico que aconteceu em 1946, pelo Sul-Americano de Seleções como a data de início da rivalidade.

Será que tudo começou assim?

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Em 1920, a seleção brasileira viajou a Buenos Aires para disputar um jogo que deveria ser amistoso, mas acabou acendendo a rivalidade entre os dois países. Chegando lá, os brasileiros foram surpreendidos por uma charge de jornal que os retratava como macacos, por causa da presença de quatro jogadores negros no elenco. Esses quatro jogadores se recusaram a entrar em campo.

Em solidariedade, a Argentina aceitou entrar em campo com quatro a menos para que o jogo fosse realizado, e venceu por 3 a 1. Com essa atitude a Argentina adiaria o início das rivalidades?

Escolha seu lado

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Voltando a 1946, é bom lembrar que o fim da segunda guerra mundial era recente e politicamente, os países estavam em lados opostos. O Brasil chegou a apoiar a Alemanha Nazista, mas mudou de lado e tinha até uma base americana em seu território. Na Argentina, as coisas ficaram mais estranhas, com o país pendendo mais para o nazismo sendo acusado, inclusive, de receber muitos nazistas fugitivos.

A Europa também estava precisando de mantimentos e Brasil e Argentina eram concorrentes e tudo isso ajudou a acirrar os ânimos.

A trágica final

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Embora o Campeonato Sul-Americano, que vem a ser a atual Copa América, de 1946 fosse disputado em pontos corridos, a última rodada reservou, coincidentemente, uma final entre Brasil e Argentina, que venceu por 2 a 0, mas no final do apito houve muita confusão em campo.

Houve um estremecimento muito grande entre os dois países e suas respectivas federações de futebol. As excursões de times argentinos para o Brasil agendadas para os anos seguintes foram suspensas.

Em quem devo acreditar?

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Poucos anos depois, em 1950, a Copa do Mundo seria realizada em território brasileiro e como os argentinos acreditavam que a sede deveria ser lá, resolveram boicotar o torneio. Já pensou se a final tivesse sido entre Brasil e Argentina?

No fim das contas, a rivalidade saiu dos gramados e chegou até mesmo às federações, tendo a CBF e a AFA, contagens diferentes tanto de partidas como vitórias e, para piorar a “guerra”, a FIFA apresenta números diferentes das duas!

As vitórias

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TORSTEN SILZ/AFP via Getty Images
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A maior vitória brasileira foi um Brasil 6 x 2 Argentina em jogo disputado no Rio de Janeiro em 20 de dezembro de 1945 pela Copa Roca. Já a maior vitória argentina foi um Argentina 6 x 1 Brasil em jogo disputado em Buenos Aires em 5 de março de 1940, pela mesma Copa Roca.

E também é bom lembrar de uma final, a da Copa das Confederações de 2005. Essa foi um Brasil 4 x 1 Argentina em Frankfurt am Main na Alemanha – Brasil campeão.

Finais da Copa América

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VANDERLEI ALMEIDA/AFP via Getty Images
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Já tivemos o prazer de computar algumas finais Brasil x Argentina pela Copa América / Campeonato Sul-americano de Seleções. Por exemplo, em 1937, em jogo disputado no Gasômetro de Boedo, Buenos Aires, a Argentina venceu o Brasil por dois a zero, sagrando-se campeã. Mais recentemente, em 2004, num jogo disputado em Lima no Perú o Brasil foi campeão depois de empatar por 2 x 2 no tempo regulamentar, vencendo por 4×2 nos pênaltis.

Para fechar, temos um lindo Brasil 3 x 0 Argentina, disputado em Maracaibo, Venezuela em 2007 – Brasil campeão.

Pelé campeão

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Matthias Hangst/Getty Images
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Os argentinos insistem em comparar Maradona com seus nem quinhentos gols com Pelé e seus 1279 gols documentados. Poderíamos parar a humilhação por aqui, mas vamos seguir com um pouco mais de informações.

Em 10 jogos contra a Argentina, o “Rei” marcou oito gols e até hoje é o maior goleador do confronto. Foi o primeiro brasileiro a fazer hat trick em um mesmo clássico, na vitória por 5 a 2 na Copa Roca de 1963.

Bem discreto

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Ross Kinnaird – PA Images via Getty Images
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A favor de Maradona, podemos lembrar que foi dele a jogada que deixou Caniggia livre para fazer o gol que eliminou o Brasil da Copa de 1990, mas como sabemos, a característica dos argentinos é se venderem bem maiores do que realmente são, então os números de Maradona no clássico são bem discretos: em seis jogos, ele só marcou um gol e somou três derrotas e dois empates.

Sua única vitória foi essa da Copa de 1990.

A água “batizada”

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Ross Kinnaird – PA Images via Getty Images
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E por falar nessa derrota de 1990, o último clássico em Copas do Mundo elevou a rivalidade a outro nível. Além de ajudar a eliminar o Brasil nas oitavas de final do Mundial de 1990, Maradona tirou sarro do episódio da água batizada anos depois.

A vitima foi o lateral Branco, que aceitou uma garrafa de água oferecida pelo massagista argentino sem saber que estava tomando sonífero. Pensando bem, depois da Copa de 1978, o que é uma água batizada, né?