A História Dos Maiores Boxeadores Brasileiros

O boxe é um dos esportes mais antigos do mundo, remontando à época dos Jogos Pan-Helênicos, lá pelo ano de 776 A.C. Seus lutadores usavam mãos envoltas em correias de couro e tinham os corpos inteiramente nus. Os vencedores dos confrontos ganhavam uma coroa de oliveira selvagem e grande prestigio em toda Grécia antiga.

No Brasil, surgiu o interesse pelo boxe em 1918, quando alguns marinheiros franceses fizeram algumas exibições em São Paulo. E ganhou a admiração dos brasileiros, com diversos representantes de calibre mundial, que fizeram muito sucesso tanto no Esporte, quanto fora dos ringues. Nos próximos slides veremos um pouco de dois dos seus maiores representantes da história do esporte no Brasil. Sabe quem são? Acompanhe!

Filho de Boxeadores

O maior boxeador brasileiro de todos os tempos, praticamente nasceu nos ringues: seu pai havia sido lutador, o Kid Jofre, e sua mãe era da família Zumbano, de grande tradição no boxe paulista. Éder Jofre estreou no pugilismo profissional em 1957, e já em 1960 tornou-se campeão mundial pela categoria de peso-galo, após vitória contra o mexicano Eloy Sanchez. Dois anos depois o “Galo de Ouro” unificou o título ao bater o irlandês Johnny Caldwell, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Depois de sete defesas do título, Éder Jofre perdeu o cinturão em 1965, para o japonês Masahiko Harada. Depois de perder a revanche em 1966, desmotivado e com problemas para se manter no peso da categoria, abandonou o boxe.

Campeão!

Voltou em 1969, lutando pelos pesos-pena. Depois de 14 lutas por essa categoria, venceu o cubano naturalizado espanhol Jose Legra, e tornou-se campeão mundial pela segunda vez. Encerrou sua carreira em 1976, após 81 lutas (77 vitórias, duas derrotas e dois empates). Em 1983, foi eleito pelo Conselho Mundial de Boxe como o melhor peso galo do boxe na era moderna e, em 1982, teve seu nome incluído no Hall da Fama. Quatro anos depois, foi eleito pela revista especializada The Ring o nono melhor pugilista de todos os tempos, entre todas as categorias. Dedicou-se posteriormente à vida política.

Vegetariano

Éder Jofre, que nasceu em São Paulo, 26 de março de 1936, lutava, quando amador, sob as cores do São Paulo Futebol Clube. É considerado por especialistas internacionais como o maior peso-galo do boxe na era moderna, tendo ficado conhecido pelo apelido “Galinho de Ouro” concedido pelo escritor Benedito Ruy Barbosa. Apesar de duro na queda, Éder é vegetariano desde 1956, conforme declarado pelo próprio no documentário A Carne é Fraca produzido pelo Instituto Nina Rosa.

Acidente

Éder nasceu no centro de São Paulo, na Rua do Seminário, mas acabou se mudando para o bairro paulistano do Peruche logo depois. Seu pai, o argentino José Aristides Jofre, mais conhecido como “Kid Jofre” já havia sido um respeitável pugilista, passou seus conhecimentos para Éder, que logo aprendeu a amar a “nobre arte”, apesar de sua primeira opção profissional ter sido pelo desenho arquitetônico, curso que realizava em sua adolescência. Em virtude do desabamento do teto do Liceu de Artes e Ofícios, perdeu todo seu material didático . Após este acidente, Éder optou pelo boxe, responsável pelo seu sucesso profissional.

Amador

Em 1953, Éder subia pela primeira vez nos ringues como amador, no torneio “Forja de Campeões”, patrocinado pelo jornal A Gazeta Esportiva. Ainda na condição de amador, disputou os Jogos olímpicos de 1956 em Melbourne. Chegou aos jogos como um dos favoritos, pois estava invicto como amador, mas devido a uma péssima ideia dos treinadores, acabou praticando com um lutador bem maior que acabou quebrando seu nariz, o que fez com que ele lutasse respirando pela boca, culminando na derrota por pontos, em sua segunda luta na competição, para o chileno Claudio Barrientos que após tornar-se profissional voltou novamente a lutar contra Éder e foi derrotado sendo” vítima” de 8 knock downs.

Galo Mundial

Profissionalmente, Éder começou em 1957 na categoria peso-galo. No ano seguinte, já era campeão brasileiro em sua categoria. Em 1960 contra o argentino Ernesto Miranda conquistou o título sul-americano dos peso-galo, começando assim a escrever o seu nome na história do boxe mundial. No mesmo ano muda-se para os Estados Unidos e torna-se campeão mundial pela National Boxing Association, vencendo, por nocaute, o mexicano Eloy Sanchez no Olympic Auditorium. Um ano depois unifica os títulos da categoria peso-galo vencendo o irlandês Jhonny Caldwell, campeão da versão Europeia. Éder conseguiu manter o seu título mundial até 1965, ganhando todas as lutas por nocaute.

Derrotas e Vitórias

Mas 1965 foi também o ano da derrota para o japonês Masahiko “Fighting” Harada. Em 1966, na revanche, outra derrota de Éder de novo em um resultado controverso, culminando em desilusão para Éder, que pensou em parar, mas quando ninguém esperava, em 1970, Éder voltou aos ringues lutando na categoria peso pena. Foram 25 vitórias, sendo uma delas em cima do gigante cubano José Legra que lhe valeu o título mundial do Conselho Mundial de Boxe em uma categoria superior à que ele começou; isso aconteceu em 1973. Em 1974, seu pai vem a falecer e em 1976, devido ao falecimento de irmão Dagoberto, Éder aposentou-se do boxe profissional.

Político

Éder cumpriu três mandatos como vereador por São Paulo. A política, porém, cansou o ex-pugilista, que hoje prefere dedicar seu tempo livre à família e a assistir seu clube do coração, indo ao Morumbi. Em 16 de junho de 2016, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara aprovou o projeto de Lei 2071/15 do deputado Marcelo Matos (PDT-RJ), instituindo para o dia 26 de março o “Dia Nacional do Boxe”, data que coincide com o aniversário de Eder Jofre.

Admirado

Em 9 de julho de 2011, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, o escritor norte-americano James Elroy, autor de livros adaptados para o cinema, como Cidade Proibida e Dália Negra, confessou sua admiração pelo ex-boxeador brasileiro Éder Jofre. “Foi o lutador mais perfeito que vi na vida… Espero que alguém possa falar para Éder Jofre que sou fã dele, que fiquei uma semana aqui falando bem dele”, finalizou o escritor, que também disse admirar outro brasileiro, o maestro e compositor Heitor Villa-Lobos.

Luta Até Hoje

Atualmente faz tratamento médico por conta de uma doença crônica, a Encefalopatia Traumática Crônica, que antigamente era chamada de demência pugilista. Antes, após os primeiros sintomas, chegou a ser erroneamente diagnosticado com Mal de Alzheimer. Viúvo de Maria Aparecida, a Cidinha, que faleceu em 10 de maio de 2013, Éder mora com sua filha Andréa e tem mais um filho, Marcel.

Início Difícil

Popó é sinônimo de força, superação, vitória. É sinônimo de campeão. Com muita determinação, Acelino Freitas transformou a sua vida através do Boxe, um esporte carente de estrutura no Brasil. Foi nesse cenário, sem incentivos e patrocínios, levou seu país quatro vezes ao mais alto escalão do Boxe internacional, conquistando, de maneira inédita, quatro títulos mundiais, em duas categorias. Outras marcas surpreendentes fazem parte da sua trajetória, como a conquista de 29 nocautes consecutivos, sendo 21 decididos no primeiro round. Números que superam até mesmo Mike Tyson, em seu fulminante início de carreira. Popó relaciona em seu cartel profissional 41 lutas, sendo 39 vitórias (33 por nocaute) e somente duas derrotas.

Mamãe Eu Quero

Popó, recebeu de sua mãe esse apelido com o qual se tornou conhecido (em referência ao barulho que fazia quando mamava). Nasceu no dia 21 de setembro de 1975, em um bairro da periferia da capital baiana Salvador, a Cidade Nova, localizado na região da Baixa de Quintas. Filho de Niljalma Freitas (também ex-pugilista) e dona Zuleica, casou-se por duas vezes, mas tem filhos com três mulheres diferentes. É pai de Rafael, Igor, Iago, Gustavo, Juan e Acelino Popó. Nunca aderiu às inúmeras possibilidades que o atraiam às drogas e ao mundo do crime e aproveitou bem a única oportunidade que teve de treinar boxe, aos 14 anos de idade, por incentivo do seu irmão mais velho, Luís Cláudio. Ainda bem que não foi pro futebol!

Novinho

Popó iniciou sua carreira bem cedo, ainda na adolescência, com apenas 14 anos na categoria amador. Foi Campeão Baiano logo de início aos 14 anos mesmo, Campeão Norte-Nordeste aos 15 e Campeão Brasileiro aos 17 anos. Em 1995, foi convocado para a Seleção Brasileira que disputaria os Jogos Pan-Americanos de 1995, em Mar Del Plata. A convocação lhe rendeu uma medalha de prata e um grande passaporte no cenário mundial, passando então a lutar boxe profissional. Da Baixa de Quitas para o Mundo!

Latino Americano

Na sua sexta luta, foi campeão do Mundo Hispânico pela WBC (Conselho Mundial de Boxe) e logo em seguida, conquistou o Título Latino da IBF (Federação Internacional de Boxe). No início de 1998 foi Campeão Brasileiro na categoria Super-Leve e no mesmo ano, em outubro, foi campeão do título NABO, título regional da WBO (Organização Mundial de Boxe). Em abril de 1999, defendeu o título NABO derrotando o mexicano Juan Ángel Macias por nocaute. Com o Brasil ligado na luta que aconteceria no dia 7 de agosto de 1999, na França, Popó tentaria conquistar seu primeiro mundial. A conquista ficou marcada na carreira do hoje ex-pugilista. Com cartel de 20 lutas e 20 nocautes, vestiu o cinturão de campeão Mundial Superpena da WBO, na luta antológica contra o cazaquistão, Anatoly Alexandrov.

Nocaute!

O enorme sucesso, fez com que após a luta, Popó assinasse contrato com a Showtime, e passou a ter suas lutas transmitidas para os Estados Unidos. A partir daí, defendeu seu título seis vezes, contra os boxeadores Anthony Martínez, Barry Jones, Javier Jauregui, Lemuel Nelson, Carlos Alberto Ramón Rios e Orlando Jesús Soto, vencendo todas por nocaute, até janeiro de 2002, data da luta de unificação. Além disso, mais três lutas sem título em jogo, contra Cláudio Victor Martinet, Daniel Alicea, e contra o ex-campeão mundial Alfred Kotey.

O título

Em 12 de janeiro de 2002, decidiu aceitar uma luta de unificação de título dos Super-Penas contra o campeão mundial da WBA (Associação Mundial de Boxe) e campeão olímpico de boxe, Joel Casamayor. Popó terminou a luta campeão por decisão unânime. Então, foi considerado bicampeão mundial Super-Pena por duas organizações: WBA e WBO. Posteriormente, derrotou o invicto e número 1 do ranking da WBO, Daniel Attah, defendendo seu cinturão. Pouco tempo depois, venceu o mexicano Juan Carlos Ramírez por nocaute, defendendo seus dois cinturões.

Campeão Mundial!

Popó ainda conseguiria o título de supercampeão Super-Pena da WBO, uma honraria que é concedida para lutadores que defendem seu cinturão por 10 vezes, na vitória por decisão unânime, sobre o argentino Jorge Rodrigo Barrios, no dia 9 de agosto de 2003. Após muito tempo defendendo seus títulos de Super-Pena, voltou à categoria Peso Leve para desafiar o supercampeão da WBO, o lutador do Uzbequistão Artur Grigorian. No final da luta, Popó se sagraria Campeão Mundial pela terceira vez, sustentando dois títulos Mundiais de Super-Pena, da WBA e da WBO, mas agora, carregava o designado como Campeão Mundial Peso Leve pela WBO.

Lutador do Ano

A WBA decidiu nomear o brasileiro como “Lutador do Ano” de 2003, após sua última consagração. Mas, como nem tudo são flores, nosso herói conheceu sua primeira derrota contra o americano Diego Corrales, no dia 7 de agosto de 2004, na primeira defesa do seu título dos Peso Pena. Perdeu também, seu cinturão da categoria Peso Leve da WBO. Depois de sofrer sua primeira derrota, trouxe para o Brasil suas duas próximas lutas, para reconquistar a confiança. Venceu o argentino David Saucedo em dezembro de 2004 e o panamenho Fabian Salazar em Julho de 2005.

Reconquista

A luta seria difícil, mas em abril de 2006, Popó reconquistaria seu título mundial dos Pesos Leves pela WBO, na luta contra o americano Zahir Raheem. Para a surpresa dos fãs, após a luta, Popó anunciou sua aposentadoria. Porém, mais tarde, anunciaria que estaria de volta aos ringues. E quando menos se esperava, o querido Acelino, sofre sua segunda derrota na carreira, em luta de unificação de títulos da categoria Peso Leve, no dia 28 de Abril de 2007, para Juan Diaz, Campeão Mundial Peso Leve da WBA e oito anos mais jovem. Dessa vez, Popó anunciou sua aposentadoria de vez, aos 31 anos de idade.

Político Também!

Decidiu então se lançar candidato a Deputado Federal pela Bahia, em 2010, pelo PRB (Partido Republicano Brasileiro). Inicialmente, não foi eleito como deputado, ficando na primeira suplência. Acontece que devido à indicação do deputado titular Mário Negromonte (PP-BA) para o Ministério das Cidades, Popó herdou a vaga e foi diplomado como deputado federal da Bahia. Em outubro de 2014 concorreu novamente ao cargo de deputado federal pela Bahia, mas como não atingiu o número necessário de votos, não foi eleito. E agora? Vamos calças as luvas ou vamos abrir contagem?